13/10/2006 ..

Reflexões sobre a excelência...



E que vem a ser a excelência? Vossa excelência, quando nos referimos a alguém, mas depende de quem, por que muitas vezes é só para cumprir o protocolo!

Excelência é uma palavra linda, intensa e profunda, mas ao mesmo tempo, extremamente cruel. Difícil de alcançá-la, quase um martírio conviver com ela!

A excelência está nos detalhes, e os detalhes, como eu sempre digo, são a parte mais complexa da receita. A parte mais importante de qualquer mise-en-place!

Tudo tem um porquê e eu adoro decifrar os porquês. A verdade é que vivo a procura de respostas e na maioria das vezes elas estão nos detalhes.

Ter como base na nossa cozinha oito tipos de corte de tomates quase perfeitos, de extremidades, textura e temperaturas diferentes, pode parecer loucura ou exagero para alguns. No meu ponto de vista, é onde se esconde o interessante. Buscar o limite de cada coisa e descobrir que o limite não existe. Simplesmente não existe. Aí está o melhor, e por outro lado, o pior.

Quando você descobre isso percebe que pode chegar onde quiser, contando que você simplesmente queira. Mas aí está a questão: querer a excelência é uma escolha cruel, uma linha tênue entre poder e querer. Poder sem querer é até possível, mas nunca verdadeiro e jamais excelente!

E como querer atingir e conviver com a excelência sem chegar à loucura e sem levar todos à loucura? Cada vez me parece mais complexo acreditar que isso é possível. Para encarar tudo isso é preciso uma boa dose de loucura e obstinação e principalmente ter a certeza de que a excelência é praticamente impossível de ser alcançada. Mas ainda assim, buscá-la todos os dias.

Ontem, tivemos um almoço cheio no restaurante, a equipe estava toda reunida, o pessoal da manhã e o da tarde, equipe completa. Parecia a cena ideal para uma tarde divertida: casa lotada, menu relativamente complexo, ou seja, adrenalina garantida.

A parte da adrenalina ainda está valendo, a diversão a gente troca por: tensão!

A equipe não estava concentrada, o cansaço acumulado foi mais forte do que a obstinação e o circo acabou pegando fogo! Os clientes nem percebem, mas muitas vezes para se chegar ao resultado esperado tem que se chegar à exaustão física e emocional. Falar mais firme do que se gostaria, gritar mais do que se imaginou ser necessário, suar mais do que o normal! Depois passa, é só aquele instante. Faz parte do nosso dia-a-dia, da nossa busca incessante pela excelência.

E hoje? Hoje já é outro dia.

Lá vamos nós de novo, sexta-feira 13, casa lotada...tudo de novo!

Somos assim, o que fazer?

Até!

11/10/2006 ..

Ah! Bom!


Então valeu a bronca. Lá estamos nós de novo na média dos comentários! Viva!

Hoje estou correndo, a tendinite voltou a atacar e o dia está uma loucura! Então, já que nossa Presidente ainda está fechando o relatório semestral de pendências, vou saldando as minhas dívidas assim mesmo.

Temos feriado pela frente, semana curta, aqui no Rio todo mundo já se foi! Então nada melhor do que se instalar junto ao fogão nosso de cada dia e cozinhar muito, na companhia de um bom vinho, claro! E a minha sugestão é o Châteauneuf-du-Pape, Domaine du vieux Télegraphe, 1996, que ganhei de presente na semana passada do meu amigo, sommelier e cineasta brilhante: Jonathan Nossiter.

Querem outra dica preciosa para o feriado? Fazer a receita, comprar um belo pão de fermentação natural, alugar o filme Mondovino, de Jonathan Nossiter, e abrir essa garrafa. Viagem garantida!

Então aí está uma receitinha simples, como as coisas que a gente gosta, para se esbaldar no feriado:



Papillote aromático de cogumelos

Por Roberta Sudbrack

Para 8 pessoas

Ingredientes

20g manteiga gelada sem sal

8 cogumelos de Paris pequenos

1 trufa fresca ou em conserva

1 colher de sopa de salsa crespa finamente picada

10ml de azeite de trufas

Papel alumínio

sal

pimenta-do-reino moída na hora

Modo de preparo

Corte o papel alumínio em oito pedaços de 3cmm X 3cmm. Faça pequenos pacotinhos e coloque 1 colher de café de manteiga gelada no fundo de cada um.

Retire o cabo dos cogumelos, limpe com pano úmido e coloque um em cada pacotinho.

Adicione a cada um, uma fatia de trufa e a salsa picada a gosto. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora.

Regue com um fio de azeite de trufas.

Feche os pacotinhos e leve ao forno quente por 10 minutos.

Sirva um pacotinho por pessoa e deixe que cada um abra o seu para sentir a intensidade do perfume.
10/10/2006 ..

Bronca geral!


Então é assim? A gente coloca a cara numa mesa redonda repleta de celebridades e feras do mundo virtual e vocês deixam a média de comentários despencar? Eu trabalho dia e noite, chupo cana, assovio e vocês dão essa bobeira?

Sim, isso é uma bronca! E das grandes! E das boas!

Falamos muito na mesa redonda do circuito RioShow de gastronomia, no Museu de Arte Moderna aqui no Rio, sobre a intimidade que se cria através desse fantástico instrumento chamado blog.

Defendi a teoria de que tudo feito com “verdade” cria intimidade, porque aproxima, acolhe. É como a luz de um abajur acesa em casa num dia de chuva.

Adoro abajur! Lembra aconchego e, logo, intimidade.

Quando saio para passear com o Frederico em domingos chuvosos, deixo o meu aceso em casa e fico olhando as janelas dos prédios por onde passamos à procura do abajur alheio.

Adoro quando avisto uma janela iluminada pela luz de um abajur. Imagino cenas cotidianas. Adoro o cotidiano. Pessoas que se amam, pessoas que descansam, filmes que passam, pipocas que estouram! Almoços em família, vinho tinto, pão quentinho, manteiga com flor de sal e abajur! Sempre abajur!

A luz de um abajur tem a fantástica capacidade de iluminar delicadamente cada espaço que deseja ser preenchido e deixar de lado aquele que não se interessa pela luz.

A luz do nosso abajur está sempre acesa, porque aqui é lugar de aconchego, de se sentir em casa, de descansar, extravasar, viver o cotidiano, estourar pipoca e deixar a vida e o filme rolar!

A luz do nosso abajur atinge de maneira sublime os quatro cantos do mundo e transforma o nosso simples dia-a-dia em um momento único.

Até!
09/10/2006 ..

Pra que palavras?





Só nos resta ver, sentir e folhear as páginas dos comentários do post de 6 de outubro...Verdadeiro, intenso e único.

Sem palavras.

Até!
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